Pular para o conteúdo

Regulação Digital e Inteligência ArtificialVerbete

SHAP (SHapley Additive exPlanations)

SHAP (SHapley Additive exPlanations, ou explicações aditivas de Shapley) é um método que explica a previsão de um modelo de aprendizado de máquina mostrando quanto cada variável de entrada contribuiu para aquele resultado.

Dr. Márcio Alcântara8 de outubro de 20264 min de leitura

SHAP (SHapley Additive exPlanations, ou explicações aditivas de Shapley) é um método que explica a previsão de um modelo de aprendizado de máquina mostrando quanto cada variável de entrada contribuiu para aquele resultado. A base é o valor de Shapley, conceito da teoria dos jogos cooperativos que reparte o ganho de uma partida entre os jogadores conforme a contribuição de cada um. No SHAP, os jogadores são as variáveis do modelo.

De onde vem o nome

A sigla junta as letras maiúsculas de três palavras em inglês: SH de Shapley, A de Additive (aditivo) e P de exPlanations (explicações). Lloyd Shapley, matemático e economista americano, propôs em 1952 uma forma de dividir o resultado de um jogo cooperativo entre os participantes. Cada jogador recebe a média do que acrescenta ao grupo, considerando todas as ordens possíveis em que os jogadores poderiam entrar no jogo. O trabalho saiu primeiro como texto da RAND Corporation e, em 1953, num livro da Universidade de Princeton. Shapley recebeu o Nobel de Economia em 2012, dividido com Alvin Roth.

Aditivo quer dizer que as contribuições se somam. Partindo de um valor de base, que é a previsão média do modelo, a soma das contribuições de todas as variáveis chega exatamente à previsão feita naquele caso. Num exemplo hipotético, se a reserva média recomendada é de 1.000 MW e o modelo recomenda 1.200 MW para certa hora, os 200 MW de diferença ficam repartidos entre as variáveis, umas puxando o número para cima e outras para baixo.

O método foi apresentado em 2017 por Scott Lundberg e Su-In Lee, da Universidade de Washington, no artigo A Unified Approach to Interpreting Model Predictions, na conferência NIPS, hoje NeurIPS. Os autores mostraram que seis métodos de explicação já conhecidos pertenciam a uma mesma família e que, nessa família, só uma solução reúne as propriedades desejáveis: a que vem dos valores de Shapley.

Como o tema aparece no Regulador.org

No artigo sobre IA no controle de sistemas elétricos, o SHAP aparece no projeto do operador do sistema britânico, a NESO, que usou aprendizado de máquina para estimar a reserva de que o sistema precisa. Junto com cada recomendação, o engenheiro da sala de controle via quanto dela se devia à previsão de vento, à geração solar e aos demais fatores. O sistema não substituía o operador. Entregava informação mais sofisticada para a decisão em tempo real.

O artigo trata a IA como componente de uma arquitetura maior, com limites, validação, observabilidade e supervisão. O SHAP é um exemplo concreto dessa observabilidade, porque permite ao engenheiro questionar o número em vez de recebê-lo pronto. A mesma ideia está na orientação da Ofgem sobre uso ético de IA no setor de energia, que pede explicabilidade proporcional ao risco de cada aplicação.

Leia nos artigos

Referências

Como citar este verbete

ALCÂNTARA, Márcio. SHAP (SHapley Additive exPlanations). Regulador.org, 2026. Disponível em: https://www.regulador.org/biblioteca/shap/. Acesso em: 8 out. 2026.
Dr. Márcio Alcântara

Dr. Márcio Alcântara

Engenheiro eletricista, mestre e doutor pela UNICAMP. Servidor da ANEEL desde 2008. Escreve sobre regulação como disciplina: como decisões públicas são construídas, que evidências as sustentam e como podem ser mais transparentes.

Página do autor